segunda-feira, 22 de junho de 2009

A boneca de pano e seus explosivos.




Emília sentia náuseas. Lá fora, um vento frio cortava tudo. De domingo a domingo a vida continuava. Quem sabe, daqui a um tempo, as coisas mudassem e os dias virassem sextas feiras. E sempre há os que dizem que tudo é uma questão de visão. Cansou-se das Super pessoas. Elas eram todas muito sozinhas. E com um quê de fake em tudo. Se tomavam café, este podia ser vagabundo, mas sendo propriedade de uma Super Pessoa seria transformado. Não! Há cafés vagabundos, e há o lugar deles nesse mundo. E há pessoas pobres que bebem cafés vagabundos. Não interessa se falam de cinema europeu ou de bandas de pagode. O assunto não modifica o concreto. Não há muito o que se fazer senão sentar e trabalhar: se não o fizéssemos, seríamos vadios patrocinados. Não introduzindo aí nenhuma moral, o dinheiro alheio sempre leva a prestação de contas. Do que falávamos eu e Emília? Ah sim, de que o assunto não modifica o concreto. E ali estava aquele muro cinza, e Emília com seus explosivos. Era somente questão de semanas.

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