terça-feira, 29 de junho de 2010

Estudo para projeto:O Lugar que o Corpo Ocupa - Sobre o Peso do Amor.




Como se estivesse em algum lugar escrito, planejado, que tinha de ser assim, e era lindo, era leve, dava vontade de flutuar pelo mundo.
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Como se o ar ou água fossem faltar, como se o sol não fosse aquecer? Não.
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Entram uns pontinhos de reticência e fica ali, o amor, a espreitar-me pela janela da alma.
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Deve de ser como dançar na chuva. Pois eu digo-te: eu não sei. Não se sabe se de fato é amor se não se prova, mas depois de provar é que se percebe a coisa em si. Estes amores forçados,tenho cá para mim, que não são amor. Acho que deve ser leve e a gente não sente o peso, mas sabe que está lá, e mesmo que diga: não, não, eu não quero mais! O outro se ri e sabe que não é de verdade.
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Só com muita estupidez e ansiedade se acaba com isso.
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Tenho cá para mim que é assim também que se amam todas as coisas de um jeito de amar de verdade. Não me perguntem mais, eu não sei o que me acontece: mudei de pedra para algodão.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Poeminha de cartório: de quando se diz não.


O que eu desejava agora era
Noites de cetim
Para compensar
Dias de ferro


Medos com
Imaginações mirabolantes
Rondam, espreitam
Tomam conta.

Insisto em me culpar
Sempre fiz
A coisa errada.
Apostas no abismo.


Circula o meu corpo
A tensão
O frio
A primavera que insiste
Em não florescer.

Despeço-me de ti,
Tu, que pensei que fosse
Ficar uns tantos anos
A andar no mesmo caminho.


Se tivesses algo lá dentro
Terias deixado coisa ruim ou boa
Além do vazio.

Eu gostava de poder me despedir à grande
Dar-te flores, desculpar-me porque amei tanto sem ser a ti,
Ou algo assim,
Fingir compreensão,
Ignorar meus esforços passados,
Impor a mim mesma um bocado de pena
(porque tu vais, muito em breve, me ver partir)
Ou remorso
(porque sinto que andei a ter duas vidas.)


Mas nada.
Há sim muito dentro de mim.
Mas sofrer, meu querido,
Não mais.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Claudel


A água agora desce pelo buraco. Mas enchi a banheira, com camomila, camile. E andava a pensar, depois que desliguei a música que estava incomodando meu silêncio interno, estou louca. E não me importei camile, porque não era o mesmo dantes. Antes era uma coisa assim, os outros que despertavam minha loucura, e era dor, não era bem a falta de lucidez. Eu não cantava nem colocava minha cabeça debaixo dágua para ver como meus olhos enxergavam naquela água amarela, eu também não deixava meu braço dançar até cair e ver a água subir um bocadinho – só um bocadinho só, tá – do impacto daquele braço a bater na água e penetrar sua densidade. Não camile, antes eu tinha medo. Antes não era eu, era o que eu imaginava que eu seria se tivesse o amor ou o ódio dos outros, os outros sabe, aqueles que importam mas no fim, que é que tem isso, nada.
E eu suei, e eu prendi a respiração, mas meu nariz doeu da água começar a entrar. E não é que eu queria morrer, porque não quero mais morrer camile, eu quero é ficar bem vivinha. Eu quero que tu me vejas, uma hora dessas, a passar a mão pelos teus cabelos, sempre tão emaranhados, com a tua cabeça a mover-se num leve impulso para arrumar a tua franja, que segundos depois tu desarrumas. Eu estou bem minha querida, já não é aquilo mais, também não é o que não seria por si espontâneo, se não for já não quero mais, e isso não é desistir, é só deixar a água do banho de camomila descer pelo buraco.

Para Rachel, com amor.