A água agora desce pelo buraco. Mas enchi a banheira, com camomila, camile. E andava a pensar, depois que desliguei a música que estava incomodando meu silêncio interno, estou louca. E não me importei camile, porque não era o mesmo dantes. Antes era uma coisa assim, os outros que despertavam minha loucura, e era dor, não era bem a falta de lucidez. Eu não cantava nem colocava minha cabeça debaixo dágua para ver como meus olhos enxergavam naquela água amarela, eu também não deixava meu braço dançar até cair e ver a água subir um bocadinho – só um bocadinho só, tá – do impacto daquele braço a bater na água e penetrar sua densidade. Não camile, antes eu tinha medo. Antes não era eu, era o que eu imaginava que eu seria se tivesse o amor ou o ódio dos outros, os outros sabe, aqueles que importam mas no fim, que é que tem isso, nada.
E eu suei, e eu prendi a respiração, mas meu nariz doeu da água começar a entrar. E não é que eu queria morrer, porque não quero mais morrer camile, eu quero é ficar bem vivinha. Eu quero que tu me vejas, uma hora dessas, a passar a mão pelos teus cabelos, sempre tão emaranhados, com a tua cabeça a mover-se num leve impulso para arrumar a tua franja, que segundos depois tu desarrumas. Eu estou bem minha querida, já não é aquilo mais, também não é o que não seria por si espontâneo, se não for já não quero mais, e isso não é desistir, é só deixar a água do banho de camomila descer pelo buraco.
Para Rachel, com amor.
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