segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Outubro.

On the day that we met
I awoke
From a total sleep
You said
Keep your eyes open wide
And keep my arms open wide
You brought me courage
You bring me courage
To keep my eyes open wide
And keep my arms open wide
You brought me courage

You show
A kind of delight
Dancing 'round
Like a dragonfly
Like a coverlet in the summer's air
In the summer's air
In the summer's air

You wrap your curve of delight
Round my cold cold neck
You're a coverlet
In the summer's air
In the summer's air
In the summer's air



Caminhava como se fosse tropeçar a qualquer instante. Não havia sequer um segundo que não pensasse nas vantagens ou desvantagens do assunto: como uma pessoa gulosa que tenta se convencer de que não deve comer um doce, mas sente que está salivando só de lembrar do sabor, da aparência, da satisfação. Certo é que existem muitas coisas, muitas além do amor passional, mas tinha um certo quê de vício naquilo (tinha?), ou, quem sabe, o certo mesmo fosse ser em dois (mas como então ser separado? Porque gostava muito de ser uma só), reproduzir e morrer. Aos tropeções chegou ao café, serviu-se de chá porque estava, para variar, doente, e pensou em mil coisas que poderia estar a pensar para não concentrar-se na que estava a sua frente, mas que estava também em todos os lugares – sempre esteve, mas com diferentes rostos. Tinha vontade de parar o tempo, talvez ainda para ser o que geralmente se espera de uma figura feminina. Mas talvez tenha nascido sem uma peça no quebra-cabeças, talvez não pertencesse a este mundo – coragem grande talvez fosse mesmo dizer não. Tanto a se ver e viver, o chá que estava ali, quentinho, o mar reluzente à noite, o frio, a chuva. Não há nada que diga, que se afirme em livro algum, a necessidade de não ser só. Mas a vida é tão cheia de tudo, tão bonita e triste, e as roupas ficam velhas e as caras também e é sempre bom poder dizer: olha, este sapato já estragou-se, tenho um livro pra te emprestar, hoje envelheci mais um dia. Mas não há nada disso. Bom mesmo talvez fosse pensar na música do Yann Tiersen, e nas pessoas que não podem estar conosco porque não conseguimos ou não queremos estar com elas mas que ensinam tanto e amam sem necessidade de definições. Há uma dúvida no ar, seu olhar ficou sério e a coisa tornou-se pesada, porque sabia que ele não estaria mais lá, e que talvez, portanto, fosse melhor dizer não antes de ouvir a mesma palavra.
Tarde demais.