Textos para jornal.
Este é sobre uma artista plástica, a Jenny Holzer.
Como quase ninguém sabe, protect me from what I want não é nada Placebo. É dela.
Uma metrópole. Um prédio em região central. Uma frase com letras de proporções de alguns andares, que reluzem, escancaradas do lado de fora do edifício. Uma artista: Jenny Holzer, e a vontade de provocar a reflexão dos que estão a passar pela rua, distraídos ou preocupados com seus afazeres e trabalhos por realizar. “Protect me from what I want” diz ela, mas eu quero tantas coisas, pensamos nós. Nós queremos felicidade – coisa abstracta – nós queremos dinheiro – e que Holzer nos proteja da forma pela qual obteremos o tão desejado objecto de poder – e alguns de nós querem inclusivamente um mundo melhor. Mas o que estaria esta artista a provocar no público com tais palavras? Estaria Holzer a tentar provocar uma postura mais activa e política nos cidadãos comuns das cidades onde sua arte é exposta/ divulgada?
Holzer através da obra “Protect me from what I want” faz da arte contemporânea uma forma de activismo político. O efémero e rápido que observamos no quotidiano das grandes cidades é limpo de todo o seu excesso e transformado numa obra de impacto avassalador através de uma estética minimalista, porém proporcional ao tamanho da sua irreverência no afirmar dos seus “truísmos” - como são nomeadas as frases usadas pela autora no meio que escolheu para fazer arte: a escrita.
“Protect me from what I want” caracteriza um trabalho que nos leva a contestar nossos desejos e os meios que utilizamos para alcançá-los; remete-nos ao nosso universo de sonhos inacabáveis, dos projectos que podemos ter como planos longínquos da felicidade – que não podemos ter – porque não temos dinheiro. Bastante meditativo, o trabalho de Holzer contesta a procura inalcançável do ser humano em busca de satisfação.
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