
O que eu desejava agora era
Noites de cetim
Para compensar
Dias de ferro
Medos com
Imaginações mirabolantes
Rondam, espreitam
Tomam conta.
Insisto em me culpar
Sempre fiz
A coisa errada.
Apostas no abismo.
Circula o meu corpo
A tensão
O frio
A primavera que insiste
Em não florescer.
Despeço-me de ti,
Tu, que pensei que fosse
Ficar uns tantos anos
A andar no mesmo caminho.
Se tivesses algo lá dentro
Terias deixado coisa ruim ou boa
Além do vazio.
Eu gostava de poder me despedir à grande
Dar-te flores, desculpar-me porque amei tanto sem ser a ti,
Ou algo assim,
Fingir compreensão,
Ignorar meus esforços passados,
Impor a mim mesma um bocado de pena
(porque tu vais, muito em breve, me ver partir)
Ou remorso
(porque sinto que andei a ter duas vidas.)
Mas nada.
Há sim muito dentro de mim.
Mas sofrer, meu querido,
Não mais.
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